Sete atitudes indispensáveis para conversar bem
A habilidade de ser um bom conversador é um dos ativos mais valiosos que você pode ter, tanto para sua vida profissional como também para as suas relações pessoais. Neste post vamos abordar maneiras para que você possa melhorar a sua capacidade neste campo.
1. Aceite que conversa fiada também é uma ferramenta importante.
Embora o conceito de conversa fiada seja normalmente desprezado, o fato é que esse tipo de papo também tem um lugar importante como etapa inicial na arte da conversa. Na etapa introdutória, a abordagem de assuntos leves e genéricos permite a você sondar o terreno onde está pisando. A conversa fiada com as pessoas conhecidas é uma estratégia para quebrar o gelo. Já para quando estiver iniciando a comunicação com uma pessoa que você ainda não conhece, é fundamental para ir reunindo, aos poucos, elementos sobre aquele interlocutor.
Conversa fiada é um momento leve, em que as pessoas têm tempo para entender umas às outras antes de entrar em assuntos mais sérios ou complexos. É uma fase da conversa em que se busca identificar tópicos de interesse de forma segura, sem criar tensões e conflitos e sem grandes pretensões. Nestes minutos, é muito mais importante o fato de estar havendo uma interação do que propriamente do que esteja sendo dito. Por isso, qualquer assunto serve como tema central, preferencialmente amenidades ou temas bem neutros.
Com a conversa fiada muitas vezes temos a oportunidade de transformar estranhos em pessoas próximas. O objetivo é mostrar sua humanidade, não exibir seu intelecto.
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Equilibre o volume e a velocidade de sua voz.
A velocidade com que você fala é um fator importante para determinar o quanto é agradável a sua conversa. Aqueles que falam muito rápido, constantemente precisam repetir o que já foi dito. Você não deve tentar transmitir um número maior de informações falando rápido. É a lei da física na comunicação.
Por outro lado, os falantes excessivamente lentos podem fazer com que seus interlocutores fiquem impacientes. Para piorar a situação, há aqueles que falam bem devagar e quando a outra pessoa resolve falar, achando que já concluíram o raciocínio, interrompem e continuam falando normalmente. Nem precisa dizer que essa prática é desagradável.
É fundamental também maneirar no volume. Calibre o volume de sua voz, considerando ambiente e circunstância. Uma voz excessivamente alta normalmente incomoda as pessoas, além de demonstrar falta de educação. Por outro lado, falar baixo demais pode denotar timidez e insegurança, além de dificultar o entendimento do que está sendo dito.
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Acerte no tom.
O que interessa não é só o que você diz, o conteúdo das frases e palavras, mas também como diz: está em jogo que tipo de emoção acompanha sua voz, se você expõe suas ideias tranquilamente ou nervosamente, de forma delicada ou áspera.
O seu tom deve revelar atitude mental positiva: competência, conhecimento, calor humano e respeito. Uma fala monótona, que permanece no mesmo tom durante toda a conversa, gera tédio nas pessoas. Procure passear por diversos modos, alternando para mais alto, mais baixo, mais lento, mais rápido, realçando algumas palavras e frases, dando pausas nos momentos certos.
Uma boa maneira de exercitar o colorido da voz é a leitura de poesias. Tente visualizar o formato das coisas que são expressas nos versos e transmitir o teor disso através das palavras. “Afine seu instrumento” e nunca esqueça que a voz tem que soar agradável aos ouvidos do interlocutor.
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Exercite sua voz e fala.
Você deve ter cuidado não só com o tom de voz, mas também com a enunciação e a articulação, para prender a atenção do seu interlocutor. Fique atento para não engolir sílabas, palavras ou letras finais. Uma fala embaralhada prejudica a sua comunicação interpessoal, pois dificulta a compreensão do que está sendo dito e compromete sua imagem.
Uma maneira efetiva de melhorar sua voz é fazer exercícios de dicção. Para trabalhar a articulação, procure ler um texto com os dentes cerrados ou com uma caneta apertada entre eles. Outra técnica é fazer a leitura como se estivesse rezando, falando bem baixinho, mas de modo compreensível.
Se você, em alguns momentos, fala muito rápido, engolindo letras ou sílabas, um bom exercício para sanar este problema é ler separando sílabas, como se estivesse aprendendo a ler. A leitura em voz alta em frente ao espelho também é uma prática interessante, pois permite você visualizar o modo como articula as palavras.
Cinco minutos de exercícios já são capazes de melhorar e muito a sua performance. O ideal seria mesmo que você fizesse pelo menos três vezes por semana. Se criar o hábito de desenvolver atividades para trabalhar sua voz, você vai se beneficiar de sua comunicação oral como um todo. Vai lhe dar mais segurança e melhorar seu desempenho também ao participar de reuniões, conversar e fazer palestras.
5. Use vocabulário adequado.
Falar de forma prolixa e rebuscada não vai ser uma boa estratégia para conversar bem. Ficar utilizando termos empoladas e pouco usuais vai fazer você parecer pedante, Como se quisesse ser a pessoa mais inteligente da sala. Evite ostentação na linguagem, porque ninguém gosta disso.
O Conde Leon Nikolaievitch Tolstoi afirmou: “Quando as pessoas falam de forma muito elaborada e sofisticada, ou querem contar uma mentira, ou querem admirar a si mesmas. Ninguém deve acreditar em tais pessoas. A fala boa é sempre clara, inteligente e compreendida por todos”.
Dito isso, é importante frisar que você deve escolher adequadamente as palavras e ampliar seu repertório continuamente lendo muito. Crie um estilo de escrita e atenção: tenha cuidado, muito cuidado, com a correção de tudo o que você escreve. Ame a língua portuguesa e zele por sua integridade até mesmo na redação das mensagens eletrônicas e dos bilhetes. Procure ter a mão, para consultas rápidas, gramáticas e dicionários. Tenha atenção também com a concordância.
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Não abuse dos jargões.
As pessoas tendem a adotar jargões em determinadas áreas, muitas vezes, para mostrar que são especialistas ou até para inibir novos entrantes. Procure não abusar desse recurso.
Aqueles que adotam uma fala excessivamente especializada ou corporativa normalmente acreditam que estão passando uma excelente imagem, mas, com isso, muitas vezes, demonstram pedância e falta de maturidade.
Lembre-se de que, ao ter contato com você, as pessoas rapidamente percebem sua inteligência. Não precisa que adote expressões forçadas.
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Não se envergonhe do seu sotaque.
Não tenha vergonha de seu sotaque, desde que respeite a gramática. Seu sotaque só representa algum problema quando dificulta a compreensão. Quando for o caso, procure falar com clareza e com menos velocidade, para que isso não se torne uma barreira na sua comunicação interpessoal.
Tássia Catarina Guimarães (tassiacatarina.com) é autora do livro “Comunicação com a imprensa, na boa: como se tornar boa fonte de informações para os jornalistas e a sociedade”, publicado pela Editora Edicta/Soleto, de São Paulo. CEO da Cibermídia Comunicação Marketing, é mestre Comunicação e Culturas Contemporâneas e jornalista pela UFBA.